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HQs e super-heróis | Final de King in Black na Marvel e Infinite Frontier na DC

Por| 09 de Maio de 2021 às 11h00

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Marvel Comics
Marvel Comics

DC Comics

No final do ano passado os acontecimentos vistos em Dark Nights: Death Metal expandiram o Multiverso de 52 Terras paralelas e infinitas linhas temporais para incontáveis Multiversos, no que é chamado agora de Omniverso. Já expliquei melhor nas colunas passadas e em uma matéria só para isso, então, se quiser saber isso de forma mais detalhada, acesse o link que está logo abaixo. Resumidamente, tudo o que foi contado até hoje na editora existe simultaneamente, de alguma forma, em todas as suas Terras.

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É um conceito complicado, especialmente para os novatos, então, a melhor forma de entender é vendo ele acontecer mesmo. Bem, em janeiro e fevereiro, a DC mostrou em Future State a chegada de novos personagens e alguns já conhecidos assumindo a identidade dos principais ícones da editora. A ideia é rejuvenescer e promover mais diversidade na linha de Batman, Superman, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde, Flash e por aí vai.

Agora, depois da primeira edição que abriu a fase Infinite Frontier, vemos aos poucos os heróis caminhando para o futuro delineado em Future State. Ou seja, a publicação especial serviu como um marco para mudar o status quo da editora e estabelecer as novas regras e peças do jogo. E é sobre isso que todas as principais edições vêm fazendo nos títulos individuais.

Batman #107

O Homem-Morcego vive uma fase que combina elementos de suas raízes com coisas mais recentes. Depois de Joker War, Bruce Wayne perdeu sua fortuna e recursos e as ruas de Gotham City se tornaram palco para mais vilões e anti-heróis, muitos deles são versões modernas de outros antagonistas do passado, a exemplo do Espantalho, que nesta edição está apavorando a cidade novamente.

Aqui vemos a Batgirl assumindo novamente um papel mais importante como Oráculo e a Arlequina se tornando, definitivamente, uma coadjuvante recorrente no título do Homem-Morcego. A polícia deixou de ser aliada do Batman e, aos poucos, vemos Bruce Wayne se tornando o fugitivo Dark Detective que vimos em janeiro.

Batman - The Detective #1

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Clark Kent, Bruce Wayne e Diana Prince têm um papel muito maior e mais amplo nessa nova DC, algo que não cabe mais em apenas uma cidade ou ilha. Assim, seus substitutos mais jovens ficarão em Gotham, Metropolis e Themyscira, enquanto eles partem para o mundo e fora dele. No caso de Batman, ele percebe que não conseguiu mudar sua amada Gotham, então, ele decide partir para outros ares, neste caso, Londres.

É uma trama mais clássica que o título mensal tradicional, com direito a um desenhista mais “old school”, o veterano Andy Kubert. A ideia é mostrar um Batman explorando mais suas habilidades detetivescas, como diz o próprio nome.

Green Lantern #1

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O título mensal dos Lanternas Verdes viveu um período muito maluco nos últimos três anos, com o roteirista Grant Morrison e Liam Sharp mostrando Hal Jordan explorando os mais esquisitos mundos e personagens. A nova fase volta a ter um estilo mais clássico, com toda a Tropa e a nova Lanterna terrestre, Keli Quintela, também chamada de Teen Lantern.

John Stewart assume o comando da equipe, que agora divide a proteção com do universo com outros grupos cósmicos da DC. A história vem em um bom momento, já que estávamos mesmo precisando ver mais da Tropa dos Lanternas e de personagens como Simon Baz, especialmente neste momento de ampliação de diversidade e da mitologia de todos os cantos da DC no Ominiverso.

Rorschach #7

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A maneira como Damon Lindelof remodelou o universo de Watchmen na HBO, a partir das pegadas de Zack Snyder no filme homônimo e, claro, da obra original de Alan Moore e Dave Gibbons, criou um curioso universo compartilhado “acidental”. Isso porque uma coisa alimentou a outra e serve como a extensão da mesma história e personagens. Esta série de Rorschach faz algo semelhante.

O personagem do título explora o cenário da série da HBO, enquanto explica algumas lacunas não respondidas na TV e na obra original. Temos, por exemplo, uma explicação sobre por que o Doutor Manhattan não impediu a criatura extradimensional de ceifar milhões de vidas e que, na verdade, ele apenas não conseguiu, mas enviou um comunicado do espaço de como vencer a ameaça — algo que demorou décadas para ser decodificado. Interessante, em uma pegada bem realista, inclusive na arte.

Infinite Frontier - Secret Files #1

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Esta nova série, pelo visto, deve explorar alguns personagens que conquistaram o público, mas que não costumam aparecer muito, seja por não terem títulos dedicados ou por não estarem em todos os principais eventos da editora. Neste número, vemos uma aventura com o Superman que é presidente dos Estados Unidos, Calvin Ellis.

A trama já mostra um pouco o que significa o Omniverso, com Ellis, já no início, citando um Superman da Terra-24. Ou seja, a partir de agora, haverá essa noção de que a grande maioria dos personagens sabem que existem versões suas mais velhas ou diferentes, simultaneamente, em outras Terras ou linhas temporais. É algo parecido com o que acontece no Arrowverse na TV. E coincidência ou não, essa história sai justamente quando há rumores de um novo filme do Homem de Aço, que teria como base esta versão de Ellis.

Justice League #60

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É legal ver o já falecido criador Dwayne McDuffie ser homenageado na forma da personagem Naomi McDuffie, que vem sendo apresentada nos últimos números de Liga da Justiça e, aparentemente, será muito importante para a atual fase da editora. Aqui, vemos uma nova formação da equipe, que agora tem mais presença feminina e um diferente e intrigante Adão Negro.

Só o que não dá para entender é a razão pela qual a companhia transformou o interessante anti-herói em um herói mais clássico e parecido com Shazam, justamente quando um filme baseado no Teth-Adam dos últimos anos começou a ser produzido com Dwayne "The Rock" Johnson no mês passado e deve chegar aos cinemas em 2022.

Action Comics #1030

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No começo do ano, vimos o Kal-El deixando Metrópolis para se tornar algo maior, deixando de proteger apenas uma cidade para ser um defensor dos oprimidos em toda a galáxia, durante um evento conhecido com a Guerra dos Mundos. Agora, com Jonathan Kent assumindo o papel de Superman oficial de Metrópolis, Clark Kent deixa a Terra, justamente para investigar o que vai resultar no conflito gerado por Mongul.

Tenho gostado bastante desse conceito, que amplia o legado do Superman e o aproxima daquela interessante versão que já vimos do herói em Reino do Amanhã — até mesmo o seu uniforme é igual ao daquela história.

Marvel Comics

A sagaKing in Black terminou com o Surfista Prateado, em sua versão Black, apresentando-se como o “deus da luz” contra o avatar da escuridão, o vilão Knull, deus dos simbiontes. Os heróis se juntam em uma última ofensiva, enquanto Eddie Brock se recupera e se une novamente ao simbionte para ser Venom, desta vez “otimizado” com o poder do Capitão Universo.

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Brock consegue unir a espada de luz/prancha do Surfista Prateado com o Mjolnir de Thor em um novo e poderosos artefato, capaz de destruir as forças simbiontes. Venom mata Knull no Sol e se torna o novo “King in Black”, o rei dos simbiontes. Eu particularmente acho meio forçado tentar tornar o Venom em um personagem da grandeza do Thor, do Capitão América ou do Surfista Prateado, mas a trama serviu para estabelecer os simbiontes como mais uma força ancestral do Universo Marvel.

A trama gerou algumas consequências, como o aumento dos vampiros; e estabeleceu um novo status para o “avatar da luz”, o Surfista Prateado, assim como o poder do Capitão Universo, agora chamada de “Força Enigma”. Teve bastante gente que gostou, mas, para ser sincero, achei bem fraco e talvez seja uma das piores coisas que o Donny Cates já tenha escrito para a Marvel.

Avengers #44-45 

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Finalmente vemos o fim da enrolada trama do retorno da Fênix, que veio para Terra para falar que é a verdadeira mãe de Thor e para escolher seu próximo representante, em um “torneio de campeões”. Eis que Maya Lopez, a Echo, foi a escolhida para esse papel. O Pantera Negra descobre os “Vingadores Ancestrais”, de um milhão de anos atrás, e acredita que a vinda da Fênix acontece justamente em um momento que a mesma formação daquele grupo do passado tenha que ser reproduzida atualmente, em preparação a um evento caótico que está por vir.

Após a saga, vemos também mais de Blade e do cantinho dos vampiros da Marvel, assim como a recorrente presença de Namor. Aliás, esses dois vêm aparecendo bastante, o que é bastante compreensível. Blade já teve um reboot confirmado no Universo Cinematográfico Marvel e Namor ainda não foi revelado mas tem grandes chances de ser o antagonista de Black Panther: Wakanda Forever, próximo filme do herói — e sua presença nas revistas aumentam ainda mais as apostas de que isso realmente vá acontecer.

Thor #14

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Donny Cates dá um jeito em uma das maiores incongruências do Universo Marvel, o alter-ego Donald Blake, a quem Thor recorria quando se tornava humano no passado. Ele se tornou um vilão e prendeu Odinson em uma realidade alternativa. Na conclusão desse arco, Odin retorna e, ao lado do Doutor Estranho e de Bill Raio Beta, conseguem dar a Thor uma vantagem, enquanto ele usa a armadura do Destruidor, para deter Blake.

A história foi mais interessante no começo e só prestou mesmo para resolver o lance de Blake e para trazer alguns personagens de volta aos holofotes, enquanto foi também um “filler” para as próximas tramas.

Immortal Hulk #45

A série que expandiu a mitologia do Hulk para cantos mais sinistros do Universo Marvel trouxe de volta vários dos antagonistas, como o Líder, e revitalizou algumas criaturas que andavam sumidos e irregulares. O próprio Bruce Banner andava “correndo atrás do rabo” em um ciclo de histórias muito semelhantes. Leonard Samson, Sasquatch, Betty Ross e vários outros coadjuvantes receberam o tratamento “Immortal”, em uma trama que liga a fonte da maldade na Casa da Ideias à radiação gama.

E Banner, segundo o próprio escritor Al Ewing, tornou-se uma espécie de “sistema”, que libera a versão do Hulk mais apropriado para ocasião de acordo com o gatilho emocional que é acionado. Esta sensacional fase, que tem participação do brasileiro Joe Bennet, está perto do fim e, em breve, teremos de volta a revista em um arco mais “heróico”.

Way of X #1

O Noturno tem sido uma das figuras mais interessantes na complexa fase de Jonathan Hickman e, agora, ele traz uma perspectiva curiosa sobre o fato de os mutantes poderem ressuscitar. Na trama desta primeira edição dos vários títulos pop-up dos X-Men, Kurt Wagner, o mais religioso dos Filhos do Átomo, começa a questionar o que acontece com a alma e as versões anteriores de cada pessoa renascida. E Magneto libera um pouco de seu lado vilão, matando um mutante para que ele volte em uma versão melhor.

Women of Marvel #1

Uma das coisas que Marvel tem feito de legal nas últimas temporadas, tanto na TV e no cinema quanto nos quadrinhos, é escalar mais mulheres para produzir e desenhar mais histórias, especialmente nas edições em que as heroínas é quem são as protagonistas.

Aqui, a veterana Louise Simonson comanda uma antalogia com várias criadoras oferecendo uma visão diferente de várias personagens, a exemplo da Capitã América de Peggy Carter, que em breve deve vista no Disney+ no título What If…?, que reimagina diversos ícones da Casa das Ideias em mundos alternativos.

Hellfire Gala Guide

O cantinho dos mutantes se tornou algo curioso e muito interessante no Universo Marvel, a partir dos projetos de Jonathan Hickman. Os X-Men voltaram a se reunir como um grupo independente na nação-ilha Krakoa e escolheram Polaris como sua nova integrante temporária. Enquanto isso, o Clube do Inferno realiza uma festa de gala, que, segundo o convite, serve para “celebrar a cultura mutante e fortalecer os laços de amizade de Krakoa com as nações do homem”.

O tratamento do evento e as roupas dos personagens, que receberam um tratamento de luxo, a partir de designs criados por estilistas reais, dão o tom chique da balada, que deve marcar o início de um novo arco nos títulos X, que, em 20 edições, vão explorar a dinâmica desses novos X-Men com a sociedade mutante em Krakoa e com a humanidade no resto do mundo.

Outras editoras

Image Comics

Geiger #1: Esta é uma interessante nova série criada pela mesma dupla que realizou a ótima maxissérie Relógio do Juízo Final, Geoff Johns e Gary Frank. Em Geiger vemos uma nova realidade nos Estados Unidos, que sofreu um ataque nuclear. Ainda não sabemos muito sobre isso, mas vemos a origem do único homem que consegue andar sem uma roupa especial contra radiação no cenário pós-apocalíptico.

Tariq Geiger, de alguma forma, sobreviveu à bomba e à radiação, e agora vive como um superser no deserto, esperando que um dia ele possa se tornar uma pessoa “normal” e possa visitar novamente sua família, que vive em um bunker.

IDW

Locke & Key/Sandman - Hell and Gone #1:Locke & Key tem sido uma grata surpresa quando falamos em tramas de fantasia e mistério. A franquia, que mostra uma família explorando chaves mágicas, que abrem portas para realidades fantásticas e linhas temporais inusitadas. A trama agradou tanto que se tornou seriado na Netflix. Aqui, vemos seus personagens interagindo com o Sonhar de Sandman, assim como seus pertences e coadjuvantes.

A história acontece justamente no período que antecede Sandman #1, quando Morpheus foi aprisionado no lugar da Morte. Achei bastante interessante, principalmente por explorar eventos e personagens já conhecidos na DC, mas sob uma nova perspectiva, que revigora a história já conhecida e alimenta o universo de Locke & Key. Achei bem interessante, vamos ver o que nos aguarda no próximo número.

Até o próximo mês!

Obviamente, não dá para comentar tudo o que saiu no mercado norte-americano nas quatro semanas anteriores, mas essas edições são as que mais fizeram barulho em outubro e prometem ter relevância nas editoras (e em suas outras mídias) nos próximos meses.

Continuem lendo as matérias de quadrinhos e toda a cultura pop aqui do Canaltech. A coluna no primeiro domingo de junho. E quem quiser me acompanhar no Twitter e saber das matérias relacionadas que saem durante o período, é só me seguir no @clangcomix. Até logo!